Spira, Vinícius A. G. Desafios do acolhimento: espaço, política e pedagogia nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo. São Paulo: Humanitas, 2017. Originalmente apresentada como Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, 2015.
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Em Desafios do acolhimento: espaço, política e pedagogia nos Centros Educacionais Unificados (CEUs) de São Paulo, Vinícius Spira entrega ao leitor um estudo primoroso de uma inovação das mais importantes em políticas públicas voltadas à ampliação do acesso da população à educação, cultura, esporte e lazer na capital paulista. A relevância da política dos CEUs, porém, não garante que seus objetivos sejam cumpridos.
Eis a dupla contribuição do presente livro: de um lado, coloca no centro da análise o compromisso dos CEUs com o “acolhimento”, ou seja, com a inclusão dos frequentadores mediada pelo diálogo – em contraste com uma mera prestação de serviços; de outro, desvenda aspectos que influem nas interações entre os atores e que, como “contextos”, precisam ser levados em conta para a efetivação do acolhimento. Três âmbitos são esquadrinhados mediante análise documental e, sobretudo, etnográfica dos CEUs: a política propriamente dita, via concepções de vida pública e cidadania que tomam forma em projetos, metas e diretrizes; os espaços, que remetem à dimensão arquitetônica e definem maior ou menor liberdade para as interações; e as políticas públicas, com regras e normas que se constroem no dia a dia e modulam os efeitos dos âmbitos anteriores. Assim, do livro emerge um diagnóstico vivaz que relaciona as intenções dos atores que operam os CEUs com a política, os espaços e os desafios cotidianos da gestão de equipamentos públicos.
Prof. Dr. Adrian Gurza Lavalle (Departamento de Ciência Política FFLCH USP)

Os Centros Educacionais Unificados (CEUs) reúnem um conjunto de equipamentos de educação, cultura, esporte e lazer, e configuram centralidades urbanas em muitas das áreas mais periféricas de São Paulo. A pesquisa utiliza o termo acolhimento para referir-se à intenção de muitos servidores públicos dos CEUs de entregar benefícios aos moradores dessas áreas e de estabelecer relações de diálogo e reciprocidade com eles. O acolhimento depende do modo como se dão as interações cotidianas entre usuários e funcionários, e de como estas interações são influenciadas por espaços, normas, leis e diretrizes de um modo geral. A influência de aspectos como esses sobre as interações é objeto de uma investigação etnográfica realizada entre 2010 e 2014 entre gestores, bibliotecários e usuários dos CEUs Butantã e Vila Rubi. Destaca-se a proposição de uma tipologia de influências – designadas contextos extensivos, intensivos e separadores – que vai além do pressuposto de que o acolhimento se efetiva exclusivamente por meio de espaços abertos e de outras formas de garantia de liberdades de ação e interação. Vale mencionar também que a pesquisa associa investigação e intervenção, pela sugestão de linhas de ação aos servidores dos CEUs e pela implementação e análise de uma reforma dos espaços da biblioteca do CEU Butantã – realizada com base em minha dupla formação em antropologia e arquitetura.
Palavras-chave: acolhimento, interações, cotidiano, periferia, espaço, arquitetura, equipamentos públicos, escolas, bibliotecas.